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Mercado aposta em imóveis de luxo - 16/01/2009

Apesar do momento de incertezas na economia, que quase sempre reflete na construção civil, grandes construtoras que atuam no Ceará lançarão empreendimentos de alto padrão em 2009. Alguns apartamentos vão custar até R$ 1 milhão.

Segundo pesquisa Ibope divulgada nesta semana, realizada em 17 países, o Brasil é a segunda nação mais otimista do mundo em relação aos efeitos da crise financeira internacional, atrás apenas dos indianos. O mercado imobiliário local parece seguir essa tendencia nacional.

Algumas das principais construtoras que atuam em Fortaleza acreditam que 2009 será um período positivo para o setor e anunciam lançamentos de empreendimentos residenciais ainda para este ano. A maioria de alto padrão.

Para estas empresas, a crise que no último trimestre de 2008 trouxe insegurança para o setor, não provocou tantos estragos quanto se previa. O Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), entretanto, afirma que grandes investimentos tiveram que ser adiados por conta da conjuntura econômica.

"Estávamos capitalizados e preparados para a crise". Esta é a posição do superintendente de Incorporação da Marquise, Reginaldo Rocha, para quem é preciso "enxergar oportunidades em meio à crise". Segundo Rocha, depois da euforia do setor nos últimos anos, a crise fez com que os "preços voltassem aos devidos lugares", como os dos terrenos, que diminuíram valores.

A Marquise planeja, no segundo semestre, o lançamento de empreendimentos de alto padrão na Aldeota, Meireles e água Fria.

Inchaço

Eduardo Pinheiro Ponte, responsável pela área de Novos Negócios da Terra Brasilis, concorda com Rocha, em relação aos preços. Mas vai além. Para ele, o setor imobiliário como um todo "inchou demais" e agora está "voltando para seu tamanho real, como era em 2003 e 2004".

No ano passado, a Terra Brasilis, em parceria com as paulistas Tecnisa e Tati, adquiriu o terreno da antiga Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB) por R$ 145,2 milhões para a construção do residencial Landscape, cujo Valor Geral de Vendas (VGV) está avaliado em R$ 251 milhões.

Para este ano, a empresa projeta também com a Tecnisa outro lançamento voltado para a classe A, na Foz do Riacho Maceió, na Beira Mar.

Emails:

- A Porto Freire Engenharia também planeja lançamento imóveis, mas focará os segmentos B e C. Para o gerente comercial da empresa, Martônio Rodrigues, a crise financeira não pode ser pretexto para amornar os negócios da construção civil, seja qual for o público-alvo.

- O índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo IBGE em convenio com a Caixa Econômica Federal, registrou variação de 0,62% em dezembro de 2008, com desaceleração de 0,19 ponto porcentual em relação a novembro (0,81%). Com esse resultado, o índice fechou o ano de 2008 com alta de 11,73%, bem acima do ano de 2007, quando havia ficado em 6,08%.

Construtoras "frearam" investimentos

Apesar de as construtoras estarem anunciando grandes lançamentos imobiliários, o vice-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) para o setor imobiliário, André Montenegro, afirma que alguns investimentos que seriam lançados em 2009 "foram freados e ficaram em stand by" por conta dos temores em relação às conseqüencias da crise financeira internacional.

Montenegro, entretanto, não revela quantos e quais são estes empreendimentos e construtoras. Apesar dos investimentos "freados", o vice-presidente do Sinduscon-CE está bastante otimista em relação a 2009. "Deve ser um ano bom, mas todos devem ficar com o pé no chão", ponderou.

Quanto à expectativa de vendas financiadas, visto a escassez de crédito no mercado, que tem feito as instituições financeiras privadas serem mais criteriosas para liberação de empréstimos para o consumidor, Montenegro diz que, primeiro, temos que lembrar que o "brasileiro não tem cultura de financiamento". "O grande problema não é o crédito, mas a questão cultural", brinca.

Paraíso?

"Não é esse paraíso todo, não. é preciso ter cautela", alerta o economista e consultor financeiro José Maria Porto. Para ele, as construtoras que estão lançando empreendimentos desde o fim do ano passado são justamente aquelas que já tinham comprado os seus terrenos antes do estouro da crise financeira.

Segundo Porto, a classe A, público-alvo dos imóveis a serem lançados no próximos meses por algumas das principais construtoras, tem um nível de renda que suporta a crise. "Temos que ter a preocupação com as classes B, C e D", avalia o economista.

Para ele, 2009 não deve ter um boom de vendas como em anos anteriores, "mas a vida tem que continuar". "O setor da construção civil é o maior em empregabilidade, além do valor que agrega em toda cadeia produtiva. (SN)

Jornal O Povo, Editoria:Economia, Sandra Nagano.

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